23 de fevereiro de 2012

Nossos braços
Que lugar melhor para uma criança, para um idoso, para uma mulher apaixonada, para um adolescente com medo, para um doente, para alguém solitário? Dentro de um abraço é sempre quente, é sempre seguro. Dentro de um abraço não se ouve o tic-tac dos relógios e, se faltar luz, tanto melhor. Tudo o que você pensa e sofre, dentro de um abraço se dissolve. Que lugar melhor para um recém-nascido, para um recém-chegado, para um recém-demitido, para um recém-contratado? Dentro de um abraço nenhuma situação é incerta, o futuro não amedronta, estacionamos confortavelmente em meio ao paraíso. O rosto contra o peito de quem te abraça, as batidas do coração dele e as suas, o silêncio que sempre se faz durante esse envolvimento físico: nada há para se reivindicar ou agradecer, dentro de um abraço voz nenhuma se faz necessária, está tudo dito.
(Trecho de FELIZ POR NADA de Martha Medeiros)

14 de fevereiro de 2012

Sem correção

É mais ou menos assim
Uma menina nasceu numa pequena cidade, aquelas típicas de interior. Lá todos se conheciam. Ao menos superficialmente. Tudo era seguro, os muros eram baixos.
A menina amadureceu rapidamente devido a várias pedras que surgiram em seu caminho. Mas, mesmo assim, crescendo, continuou sonhadora. Sempre teve vontade de conhecer o mar.
Se banhava feliz em um rio. No entanto, imaginava um dia sentir o gosto da água salgada, o balanço das ondas, diferente do inerte e previsível rio, e o cheiro, há o cheiro... deveria ser de felicidade.
Um certo dia - agora a menina já se tornara uma mulher- como em conto de fadas, ela reencontra um velho amigo, que a muitos anos não se viam. Ele havia saído da cidade. Que grata surpresa tiveram os dois com o resgate de tantas boas lembranças de outrora. Mas, o principal motivo para que o destino tivesse promovido esse encontro era o que estava por vim. O velho amigo, lhe falava do mar. O mar que a menina-mulher tanto tinha vontade de viver. E fizeram planos para conhece-lo. Ela imaginava como seria viver essa experiência que tanto sonhou a vida toda. Os dois viajavam na imaginação. E ela já tinha uma mala cheinha de expectativas. Melhor dizer, de certezas.
E o dia finalmente chegou! Imaginem o tanto de alegria que nem cabia nela. Partiram para a cidade litorânea. A viagem não podia ter sido melhor. A companhia que um era para o outro tinha sabor de jambo roxo no mês de Janeiro. Ela estava ansiosa do que estava por vim, por ver e sentir.
Finalmente chegaram a praia. Foi a visão da imensidão, do infinito. Era tudo que ela sempre imaginou. Ele parecia feliz.
Depois de olharem juntos a beleza da dança das ondas, de ouvirem a música que elas ao arrebentarem e junto com o som do vento tocavam e sentirem o cheiro da tal felicidade que vinha do mar, era hora de se lançar na água morna, como para que se encher de tudo aquilo. Subitamente, ele, que nesse momento passou a ser menino aos olhos dela (também isso não podia ser, ela ficou muito confusa), resolveu que iria levá-la de volta. Que ali, diante do mar, nem mais um passo ela daria senão de volta para casa. Argumentou ele, que não havia se dado conta do perigo que o mar oferece. Que tal risco não deveriam correr. Questionado muitas vezes por ela, que pedia apenas para molhar os pés, ao menos isso, ele se reservou o direito de falar que apenas mudou de ideia. De volta para casa, a mulher, se viu desfeita. Agora se sentia como criança que sequer tinha um sonho para acalentar e continuar sendo meio feliz. O rio que se banhava estava ali, exatamente como era antes, mas para ela, ele tinha ficado tão pequeno e tão seco que não podia mais para ele olhar sem chorar.
Luiza Roberta Dias

8 de fevereiro de 2012

7 de dezembro de 2009



Por quê?

Porque hoje sonhei com você
Porque essa semana ouvi vinil
Porque agora estou ouvindo Gil
Porque agora senti vontade de escrever
Porque essa hora, 18h, me lembra você
Porque tá perto do carnaval
Porque acabou meu confete
Porque tô sem sua graça
Porque foi delírio de alegria
Porque foi ponto sem nó
Porque ainda tenho saudade
Porque não nos falamos mais em silêncio
Porque não tem justificativa.

Luíza Roberta Dias


EU-BEM-TE-VI

Bem-te-vi...
Bem-te-vi...
Bem-te-vi...
Bem-chegar-te-vi
Bem-te-vi cantar
Bem-te-vi voar
Me alegrar, chorar
Sonhar, viver
Crescer, nascer
Bem-te-vi partir
Sem sequer piar.

Luíza Roberta Dias

MAIS UMA VEZ


SEM FIM

As vezes demoro a ir...
Quando ao longe,
não volto mais.
Agora me entristeço,
estou ficando distante.
Como um rio que corre...
Não volto.
Quem foi? Que vento soprou minhas águas?
Que pesadas lutavam...nadavam...
Queriam parar.
O tempo rápido passou...levou.
Contra a correnteza,
contra a natureza
não se tem como lutar.
É frio,
é fogo,
é faro,
é tato,
é fato.
Agora espero que
como água eu ferva...
Evapore...
Chore...
Chova.
E novamente vire rio.
Sinta.
Corra.
Passe.
Chegue.
Viva.
Luíza Roberta Dias

22 de novembro de 2009

PARA HOJE, DOMINGO


E PARA TODOS OS OUTRO DIAS


Senhor, nosso Deus, concedei-nos viver na fidelidade de vosso Espírito de amor e sermos dignos da abundância de vossas bênçãos. Ensinai-nos a dar um colorido de sabedoria à nossa vida: este é o convite que nos fazeis com palavras fortes e dificeis de aceitar. Doce é a noite, se estais vizinho a nós, alegre é a manhã quando voltamos a encontrar-vos. Queremos cantar toda a nossa alegria de vivermos junto a vós. Muito agradecemos a sabemos que nada nos falta quando em vós confiamos. Senhor, luz de nossa mente, agradecemos por todas as dores que suportamos, por todas as lágrimas que derramamos, por todas as alegrias que não nos negastes. Onde nasce amor, sois a fonte; onde há uma cruz, sois a esperança; onde o tempo termina, vós sois a vida eterna. Amém.

Frei Luiz Henrique F. de Aquino

21 de novembro de 2009

ord rod

dor

muita
muda no peito
cheio de alma
sem calma dispara
aumenta com a música
a Coca-Cola não tomada
os planos desfeitos
as viagens cheias de bagagem, uma página arrancada
o sorvete escolhido foi de tapioca
dentre tantos mimos por fazer
para quê?
escolhi as velas
os aromas
lembro-me a todo tempo
remendos
acho que nem eles servem mais
e passa para a cabeça
toma conta do corpo todo
um misto de frio e fome
e assim não sobra nada
nem corpo...
nem alma
...

luíza roberta dias
NÃO DITA
Palavra...
Se não tens nada de bom para passar, cala-te
profana
Infame
Esconde-te

Não tens carinho a dar
Nada de bom para ofertar
Um aviso importante que seja a fazer
Guarda-te

Não corre
Não espalha-te ao vento
Não perambula
Não cause descontento

Palavra não pura
Insana
Doidivana
Leviana

Palavra maldita
Cuidado
Analisa
Melhor não ser dita
Luíza Roberta Dias

14 de junho de 2009

?

Artist: J Velasco

Em tempo

De quanto tempo você precisa?


Pode ser o tempo de um olhar
De um piscar
O tempo de um sonho acordado
De um abraço bem dado
O tempo de uma infância
Pode ser mais que uma vida
Pode ser o tempo apenas para se cruzar numa esquina

De dar a volta ao mundo
Pode ser o tempo de uma risada
Pode ser o tempo de uma viagem
Pode ser o tempo para sentir-se saudade
Pode ser 24 horas
Pode ser até o tempo que se passa apressado
Pode ser o tempo gasto no trajeto de uma lágrima

Pode ser um tempo nublado
Pode ser um tempo de desatenção ou de alerta total

Pode ser o tempo para se fazer um filho
Pode ser o tempo de comer um pão
De se lavar um chão
Pode ser o tempo para se preparar o almoço
Um tempo de dedicação
O tempo de pronunciar a palavra certa
O tempo para se ouvir
O tempo para perdermos a vergonha
Talvez o tempo que gastamos para esquecermos do tempo
O tempo que nos permitimos
O tempo que somos
Em tempo.

Luíza Roberta Dias

POR FAVOR, NÃO CORRA

video

PRESTE ATENÇÃO!

Você tem cuidado do seu tempo?

Das distancias na sua vida?

Da sua velocidade?

Isso importa para você?

vídeo enviado por meu amigo Salomão. Obrigada!

...

TRECHO DO ÚLTIMO DISCURSO DO FILME O GRANDE DITADOR - CHARLES CHAPLIN

"O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódios... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco.
Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade.
Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura.
Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido."

12 de junho de 2009

Dia Mundial contra o Trabalho Infantil 12 de Junho


"Criança tem que brincar. Aprender a ser feliz. Entrem nessa campanha vocês também: por um mundo sem trabalho infantil."Gilberto Gil

O Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil comemora-se todos os anos a 12 de Junho, e tem como objectivo a conjugação de esforços do movimento global para eliminar o trabalho infantil. Destaca os perigos e os riscos que muitas crianças trabalhadoras enfrentam ainda muito jovens e as políticas necessárias para lutar contra o trabalho infantil.
Este ano, o dia mundial marca o décimo aniversário da adopção da importante Convenção (nº 182) da OIT, que responde à necessidade de agir para erradicar as piores formas de trabalho infantil. Enquanto celebramos o progresso realizado nos últimos dez anos, no dia mundial a OIT irá realçar os desafios actuais, com um foco na exploração das meninas no trabalho infantil.
Em 2009 a OIT espera um Dia Mundial apoiado de forma abrangente pelos governos, pelas organizações de empregadores e de trabalhadores, pelas agências das Nações Unidas e por todas as pessoas interessadas na luta contra o trabalho infantil e a promoção dos direitos das meninas. Para saber mais, consulte:

- Dê uma oportunidade às meninas – Brochura »

- Dê uma oportunidade às meninas – Perguntas e Respostas »

- Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil – Cartaz »

AO NAMORADO



Amo-te

Amo-te como a planta que não floriu
e em dentro de si, escondida,
a luz das flores, e,
graças ao teu amor, vive obscuro
em meu corpo o denso aroma
que subiu da terra.
Amo-te sem saber como, nem quando,
nem onde,
amo-te diretamente sem problemas
nem orgulho:
Amo-te assim porque não sei amar
de outra maneira,
A não ser este modo em que nem eu sou
nem tu és,
tão perto que a tua mão no meu peito é minha,
tão perto que os teus olhos se fecham
com meu sono.

Pablo Neruda

30 de maio de 2009

PARA MASCARAR O AMARGO



A história dos dois videntes

Pressentindo que seu país em breve
iria mergulhar numa guerra civil,
o sultão chamou um dos seus melhores videntes,
e perguntou-lhe quanto tempo ainda lhe restava viver.
-“Meu adorado mestre, o senhor viverá o bastante
para ver todos os seus filhos mortos”.
Num acesso de fúria,
o sultão mandou imediatamente enforcar
aquele que proferira palavras tão aterradoras.
Então, a guerra civil era realmente uma ameaça!
Desesperado, chamou um segundo vidente.
-“Quanto tempo viverei”? – perguntou,
procurando saber se ainda seria capaz
de controlar uma situação potencialmente explosiva.
-“Senhor, Deus lhe concedeu uma vida tão longa,
que ultrapassará a geração dos seus filhos,
e chegará a geração dos seus netos”.
Agradecido, o sultão mandou recompensá-lo
com ouro e prata.
Ao sair do palácio, um conselheiro
comentou com o vidente:
-Você disse a mesma coisa que o adivinho anterior.
Entretanto, o primeiro foi executado,
e você recebeu recompensas. Por quê?
-Porque o segredo não está no que você diz,
mas na maneira como diz.
Sempre que precisar disparar a flecha da verdade,
não esqueça de antes molhar sua ponta
num vaso de mel.

Paulo Coelho




29 de maio de 2009

TEXTO QUE GANHEI DE MINHA AMIGA QUE FAZ ANIVERSÁRIO HOJE: PARABÉNS LILI !



O que somos

O que é um lugar?
Uma mesa?
Um copo sobre ela?
Palavras...
Sonhos desfeitos
Refeitos
Desejos
Anseios...
O que é isso?
Que magia se abriga, se acomoda aqui.
Entre nós, entre nós e as estrelas, entre nós e o universo?
O que é um espaço?
Nada.
Não é nada além do que somos
Do que sentimos...
Do que nos entregamos e do que musicalmente imaginamos ser
Somos vida e esperança.
Isso é mais do que aqui encontramos.
Aqui somos nós!

Te amo Beta!!!

Liliana Miranda (26/08/07 – Toca da Joana)

28 de maio de 2009

CAIS

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Invento em mim o sonhador

27 de maio de 2009

A PARTIR DE AMANHÃ JÁ TEREMOS ACABADO DE PAGAR NOSSA CARGA TRIBUTÁRIA DE 2009


AINDA TEMOS 7 MESES E ALGUNS DIAS

De 1º de janeiro a 27 de maio de 2009 os brasileiros trabalharam para pagar os tributos: impostos, taxas e contribuições. Quase metade de tudo o que o trabalhador receber em 2009 vai direto para os cofres dos governos municipais, estaduais e federal.

VIVA!

Agora iremos trabalhar para comer, vestir , pagar o plano de saúde privado, a segurança privada. Temos que pagar a escola privada dos nossos filhos, que desta forma poderão um dia "ser alguem" capazes de pagar seus próprios tributos. Se sobrar um tempinho no calendário, devemos dedicar o trabalho ao futuro, pagar também o plano de previdência privada, de modo a garantir que no momento em que paremos de trabalhar possamos pagar nossos tributos, os serviços privados essenciais supra citados e os medicamentos que provavelmente precisaremos...ao menos para dormir e para regular a pressão... decorrência, dentre outras coisas, da falta de tempo no calendário para trabalharmos pelo lazer.

Luiza Roberta Dias

26 de maio de 2009

TIO DEDA (Beto Kaiser)

video

MENSAGEIRO DO VENTO

São notas que embalam os pensamentos
Trazem notícias de dentro de nós mesmos
Tanta harmonia que nos faz voar com(o) o vento
Quando não, nos paralisa só para quietos escutarmos sua mensagem ...
Sentir esse vento tocar no rosto
Assanhar tudo...
E sem nem nos mexermos
nada mais tá no lugar.
Sabe-se lá o que nos conta...
Para onde vai nos levar.

Luíza Roberta Dias

25 de maio de 2009


BRISACATAVENTO

"Vento que embalança as paias do coqueiro
vento que encrespa as ondas do mar
vento que assanha os cabelos da morena,
me traz notícias de lá...
vento que assobia no telhado
chamando para a lua espiar
vento que na beira lá da praia escutava o meu amor a cantar
hoje estou sozinho e tu tambem
triste me alembrando do meu bem
vento diga por favor, adonde se escondeu o meu amor..."

Gilvan Chaves

24 de maio de 2009

Que boa descoberta!


Sonhar acordado ajuda a resolver problemas, diz estudo

Toda a pessoa que fica vagando com a mente,
imaginando mil e uma coisas na cabeça enquanto trabalha acaba sendo
taxado de preguiçoso e sonhador, certo?
Agora existe um motivo especial para continuar com essa prática:
um novo estudo mostra que sonhar acordado estimula o setor de cérebro
responsável por soluções de problemas, segundo o site LiveScience.
Kalina Christoff, da University of British Columbia no Canada,
analisou, através de ressonância magnética, voluntários realizando rotinas simples como apertar botões quando números apareciam em uma tela. A pesquisadora analisou o grau de atenção segundo-a-segundo e a performance individual.
Até agora os cientistas acreditavam que somente a parte do cérebro ligada a soluções fáceis e de rotina era ativada quando a mente vaga, mas este teste mostrou que mesmo resoluções mais complexas são alcançadas nos devaneios.
Segundo Christoff, o estudo mostrou que nosso cérebro é mais ativo no sonhar acordado do que realizando tarefas rotineiras. "Quando você sonha acordado, você pode não conseguir alcançar um objetivo imediato, mas sua mente está trabalhando em questões importantes como sua carreira ou vida pessoal", afirma a especialista.
A pesquisa publicada na revista especializada Proceedings of the National Academy of Sciences acaba sendo de extrema importância, mesmo porque estudos anteriores mostraram que passamos pelo menos 1/3 de nossas vidas desperta sonhando acordado.
Cláudio R. S. Pucci
Especial para Terra -Terra e Saúde

24 de Maio - Dia de Nossa Senhora Auxiliadora


ORAÇÃO À NOSSA SENHORA AUXILIADORA
(Composta por São João Bosco)


Ó Maria, Virgem poderosa,
Tu, grande e ilustre defensora da Igreja;
Tu, auxílio maravilhoso dos cristãos;
Tu, terrível como exército ordenado em ordem de batalha
Tu, que só, destruíste toda heresia em todo o mundo:
Ah! Nas nossas angústias, nas nossas lutas, nas nossas aflições, defende-nos do inimigo;
e, na hora da morte, acolhe a nossa alma no Paraíso.
Amém.

23 de maio de 2009

"Não sou um tipo de pessoa clichê e não me encaixo em categorias"

Zahra Rahnavard (Irã)





"Candidata" a primeira-dama personifica a voz reformista no Irã

Há quatro candidatos para a eleição presidencial no Irã - todos homens -, mas a pessoa que surgiu como mais intrigante na campanha até agora é uma mulher: a esposa de Mir-Hossein Moussavi, o candidato reformista.
O conceito de primeira-dama não existe no Irã desde que a revolução de 1979 pôs fim ao papel cerimonial ocupado pela última rainha, Farah.
Desde então os presidentes do Irã evitaram amplamente aparições públicas com suas mulheres.Mas Zahra Rahnavard está decidida a mudar isso se seu marido for eleito depois da votação de 12 de junho.
Ela já deixou de lado anos de tradição para fazer campanha e acompanhar Moussavi, que foi primeiro-ministro entre 1981 e 1989, nos comícios eleitorais. Ela ainda não entrou em conflito com o establishment clerical conservador, cujas tradições ignora. Mas analistas indicam que até agora as pesquisas de opinião oficiosas colocam Mahmoud Ahmadinejad, o presidente fundamentalista, como provável vencedor de um segundo mandato. Se as porcentagens de Moussavi aumentarem, a mãe de três filhos poderá ter seu papel mais examinado.
Moussavi chocou muita gente - incluindo outros candidatos reformistas - quando decidiu desafiar Ahmadinejad para a presidência.
Depois de seu mandato como primeiro-ministro na década de 1980, ele desapareceu da política e se tornou pintor, surgindo apenas este ano para contestar a atuação econômica do governo, muito criticada, e fazer campanha por maior justiça social. Esse exílio político auto-imposto significa que Moussavi é um virtual desconhecido para os jovens que formam a maioria da população iraniana, de 70 milhões.
Sua mulher, que é escultora e escritora, porém, é um potencial modelo para os jovens e as mulheres. Unindo-se a Moussavi na campanha em Teerã e outras cidades - às vezes de mãos dadas -, Rahnavard é cada vez mais vista, até por alguns campos rivais, como um verdadeiro trunfo do candidato. Em uma recente reunião política ela foi cumprimentada com a mesma aclamação que seu marido e o ex-presidente reformista Mohamed Khatami receberam.
Rahnavard diz que a decisão de seu marido de disputar a presidência foi impelida por um "compromisso com a prosperidade da população"."Moussavi e eu nos dirigimos a toda a nação iraniana e em particular às mulheres, aos jovens e estudantes", ela diz. "Nossas mensagens aos iranianos durante os comícios são [encorajar] a liberdade de pensamentos, abrir o ambiente [político], estabelecer uma economia sólida, aumentar a participação do público... eliminar a discriminação contra as mulheres, criar oportunidades de emprego... e ajudar os jovens a pensar livremente."A mulher de Ahmadinejad dirige um colégio em Teerã, mas raramente ou nunca é vista com seu marido em público. Mas Rahnavard acredita que seu próprio envolvimento na campanha já teve um impacto significativo nas atitudes de outros candidatos - incluindo Mohsen Rezaei, o ex-comandante da Guarda Revolucionária -, que começam a envolver suas mulheres.
Vestida em um chador preto da cabeça aos pés, ela é franca sobre seu passado antes da revolução, quando não usava o hijab ou véu islâmico, mas se vestia em um estilo mais ocidental. Alguns temeram que isso pudesse ser usado contra a campanha de Moussavi se truques sujos fossem adotados. Mas até agora não aconteceu.
Ela insiste que, assim como sua arte - em que mistura modernismo com elementos mais tradicionais para produzir centenas de pinturas expressionistas e abstratas e esculturas feitas de pedra, vidro, madeira, ferro e bronze -, ela não deve ser classificada."Não sou um tipo de pessoa clichê e não me encaixo em categorias", ela diz.
Se seu marido se tornar presidente Rahnavard admite que a vida que a família levou nos últimos 20 anos será transformada. "O que eu estou vivendo hoje [a campanha] é caótico e contraria minha vida artística, que precisa de delicadeza e beleza", ela diz. No entanto, ela é determinada: "Moussavi e eu entramos em cena para superar os fracassos [políticos e econômicos]".


Fonte: Financial Times - Najmeh Bozorgmehr
Tradução Luiz Roberto Mendes Gonçalves (uol notícias)

22 de maio de 2009

Zé? ele foi morar de vez no campo...

"O cantor e compositor Zé Rodrix, de 61 anos, morreu vítima de parada cardíaca na madrugada desta sexta-feira em São Paulo. Ele estava em casa com a família quando passou mal e foi levado às pressas para o Hospital das Clínicas, onde morreu às 0h45. A causa da morte ainda não foi informada.O artista é autor da música "Casa no Campo", gravado por Elis Regina, e "Soy latino americano". Ele integrou o trio Sá, Rodrix & Guarabyra, que foi expoente do rock rural nos anos 70. O cantor e compositor também tocou com Tavito e com a banda Joelho de Porco.Rodrix, cujo nome de batismo é José Rodrigues Trindade, apareceu para o grande público em 1967, em um festival da Record. Nas décadas de 80 e 90, Rodrix abandonou a carreira musical para se dedicar à publicidade.Em 2001, voltou a se reunir com os companheiros Sá e Guarabira para uma apresentação do "Rock in Rio". No mesmo ano, o trio lançou um DVD ao vivo, reunindo seus maiores sucessos: "Sá, Rodrix & Guarabyra: Outra Vez Na Estrada - Ao Vivo".Zé Rodrix deixa mulher, seis filhos e dois netos."

Casa no Campo (Zé Rodrix)
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar do tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais
Eu quero carneiros e cabras pastando
Solenes no meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas
Eu quero a esperança de óculos
E um filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão,
A pimenta e o sal
Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau a pique e sapê
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros e nada mais.

Um sentir é do sentente,
mas outro é do sentidor.
(João Guimarães Rosa)

21 de maio de 2009

CENA DO FILME "AMARGO PESADELO" - 1972

"O garoto que toca o banjo não é ator, apenas um autista que residia próximo ao local onde estavam sendo feitas as filmagens.
Quando, por acaso, a equipe parou em um posto de gasolina, aconteceu esta cena marcante do filme, que o diretor Boorman teve a felicidade de encaixar na história.
Repare na expressão do garoto...
No início, triste e pequeno. Mas, à medida que toca seu banjo, ele cresce com a música e vai se deixando levar por ela até transformar sua expressão em alegria, resgatada graças a um violeiro forasteiro.
O garoto cresce, brilha e exibe o sorriso preso nas dobras de sua deficiência - sorriso maravilhoso que a magia da música traz à superfície.
Após a música, ele volta para dentro de si, deixando a sua parcela de beleza eternizada nesse filme."
(Material enviado pela amiga Ana Lúcia. Obrigada!)

video



...sem nome...
sem respostas...
sem nada


Então há mais de um ano eu me alimentava de pequenas coisas...
Um voto de bom dia inesperado
Uma pequena mensagem que fosse
Uma demonstraçao de atraçao física, um raro telefonema...
Há quanta alegria sentia!
Isso era o suficiente para superar a falta de tanto mais que queria receber e ofertar.
Realmente pouco, muito pouco.
No entanto, hoje me deparo com o nada que me enche de fome
Me suga todas as forças.
Ninguém pode esperar que a troca entre as pessoas seja em pesos exatos
De forma alguma
Mas ela só é possível,
por essência, se houver doação de ambos os lados.
E sei que é possível para todo mundo.
Todos nós temos o que ofertar de bom para quem gostamos.
Já senti, em tempos passados, o gosto de sua atenção e carinho.
O quanto é gentil e cuidadoso para com pessoas que lhe são valiosas.
Faço tudo que sei
Naturalmente
Alegremente
Por prazer para tê-lo feliz ... para tê-lo.
Chego a fechar meus olhos na tentativa covarde
(ou pode até ser de muita valentia, quem sabe?)
de não exergar os fatos que silenciosos gritam verdades em meus ouvidos que se figem de mortos.
Agora, diante do eu sozinha neste cenário,
Dilacerada, me resta uma única alternativa
Apagar as luzes.
Luíza Roberta Dias

20 de maio de 2009


Modéstia (Olavo Bilac)

Se a todos os condiscípulos
Te julgas superior,
Esconde o mérito, e cala-te
Sem ostentar teu valor.
Valem mais que a inteligência,
A constância e a aplicação:
Sê modesto! estuda, aplica-te,
E foge da ostentação!
Mais vale o mérito próprio
Sentir, guardar e ocultar:
Porque o verdadeiro mérito
Não gosta de se mostrar.

18 de maio de 2009

Já dizia o Profeta

Que tal assistir esses dois vídeos?! São para você : )

Gentileza, uma proposta de vida.



NUVENS DO PROFETA GENTILEZA
Miguel Falabella

Eu vinha dirigindo pela enseada de Botafogo, o dia tinha nascido sobre o desfile da Beija-Flor e a manhã soprou uma brisa fresca, antes de o Sol inundar tudo. Mas lá vinha eu, cansado, de janela aberta, sorvendo o ar da minha cidade, feliz da vida, quando apertei a tecla errada no aparelho de som e, ao invés de entrar o samba da Grande Rio, Ella Fitzgerald surgiu cantando Cole Porter, com aquela doçura e categoria de sempre. Imediatamente, o mundo mudou lá fora, minha cabeça deu uma guinada violenta e o olhar foi redirecionado. Ela mal começou a cantar e o olhar foi redirecionado. Música faz isso com a gente, às vezes.
Música nos atira para o ar de repente, sem aviso. É isso. Rouba o chão e estende um tapete de nuvens no lugar. Ella Fitzgerald fez isso, esta manhã, quando eu dirigia pela enseada de Botafogo, achando linda a minha cidade, imaginando o que será dela num futuro que eu não verei. Um futuro distante, quando arqueólogos importantes recuperarão parte dos grandes blocos de concreto com as inscrições do profeta Gentileza, aquelas mesmas que me acostumei a ler e reler nas idas e vindas da Ilha. A beleza gráfica das letras e a composição de suas profecias, de suas palavras de amor. E simplesmente apagaram tudo. Não tiveram sequer o bom senso de perguntar a nós, moradores da cidade, para quem as palavras eram dirigidas. Junto com as palavras de Gentileza, afogados na tinta do poder, vão-se pedaços das minhas viagens e dos meus sonhos, sacolejando nos ônibus, o olhar perdido na feia paisagem da Avenida Brasil, os olhos adolescentes projetando seus sonhos no comprido muro do cemitério do Caju. Tudo apagado. Por um tempo, talvez. Quem sabe, por esses misteriosos descaminhos, aquelas não sejam tábuas de uma grande religião do futuro, preservadas sob a tinta que um dia quis destruí-las. Sei lá, pode ser que aconteça. E pode ser também que tudo desapareça num tapete de nuvens. Mas prefiro acreditar nos mistérios que a vida volta e meia oferece.
Enfim, lembrei da obra de Gentileza e do belo enredo de Joãosinho Trinta e fui colocar o samba da escola para sacudir a manhã, quando deu-se a melódia. Ella começou a cantar e meu corpo cansado parou, enquanto a alma, cheia das alegrias da noite de batuque, virou de cabeça para baixo e, de repente, eu voando nos ares da harmonia, imaginei que nossas existências são desfiles, com grandes carros alegóricos, um para cada evento importante do nosso enredo. E o dia foi passando com mais vagar pela janela, até a brisa segurou a respiração para que alguns dos carros mais delicados passassem pela avenida à beira mar. Congelou-se a imagem daquele momento, a fotografia para sempre guardada nos anais do tempo.
E, na cabeça, eu ia repassando algumas das mensagens que recebi por causa da tal revisita a um dia escolhido, que eu propus na última crônica. Como de hábito, meus leitores se inspiraram e eu tenho recebido poesia de toda parte, pedaços de lembrança, retalhos de vidas, que de alguma forma tento costurar para dar sentido à minha. O nosso patchwork particular. As lembranças de vocês iam se desenrolando na minha cabeça, um grande desfile, carros passando em câmera lenta, Ella cantando ao fundo e o Rio de Janeiro abrindo as cortinas do dia e deixando o sol entrar. Foi assim, esta manhã.
Dormi quase o dia inteiro, um sono picado, besta, de quem parece que tem medo de sonhar. Acordando toda hora, achando que ainda não tinha descansado o bastante, e volta e meia lembrando de um relato, de uma lembrança de alguém, que de longe me ajuda, agora, a escrever esta crônica. Não consegui dormir direito, no final das contas, enquanto o dia corria célere lá fora, ao encontro das luzes do segundo dia. Fiquei zanzando pela casa vazia e acabei sentado no computador, recebendo novas mensagens, mais corações rebentando em flor e gente que fala bonito e pensa bonito e eu vou lendo como quem se ilustra. Acabei marcando todas as mensagens que vocês me enviaram e quero ver se consigo realmente fazer uma crônica que seja uma colcha dos retalhos de todos os nossos corações urbanos (ou, pelo menos, os desses encontros às quintas-feiras). Não sei ainda de que jeito, mas uma hora, assim como quem não quer nada, eu me inspiro.
E, já que todos confessaram tão despudoramente suas preferências, sinto-me na obrigação de compartilhar igualmente meus segredos, de modo que, muito aqui entre nós, se me dado fosse este direito, o dia que revisitaria seria aquele mais comum, um dia de semana qualquer. Nada especial. Apenas um brilho verde nos olhos, um meio sorriso no canto da boca e uma promessa de amor no ar. Esse dia seria o revisitado.
Se me dado fosse esse direito



17 de maio de 2009

Cataventos

...

O vento está dormindo na calçada,
O vento enovelou-se como um cão...
Dorme, ruazinha...
Não há nada...
Só os meus passos.
Mas tão leves são
Que até parecem, pela madrugada,
Os de minha futura assombração...

(Trecho do livro A Rua de Cataventos - Mário Quintana)